Número 36 . Novembro 2010
Pedro Fontes
a pedalar durante 5 meses e meio

Há muito tempo que a ideia lhe passava pela cabeça.

"A viagem inicial, a dos sonhos, ia desde a África do Sul até Ceuta, mas sem experiência e com muitas dúvidas, optei por uma mais pequena e acessível".

E, assim, depois dos preparativos e delineado o mapa final, Pedro Fontes colaborador do Grupo Mota-Engil no Malawi, fez-se à estrada, literalmente, e partiu numa aventura incrível: fazer de bicicleta o percurso entre Luanda e Maputo.

À vontade de se desafiar a si próprio, juntou-se o propósito de conhecer o interior de Angola e Moçambique e contactar com a população local.

Cinco meses e meio, cinco países e 8 mil quilómetros depois, chegou ao seu destino. Sempre a pedalar.

O sol, os caminhos de areia, os furos, os imprevistos, os encontros inesperados foram  superados com esforço e a vontade de completar a aventura. Apesar de pedalar praticamente sozinho diz que nunca se sentiu em perigo ou ameaçado, embora as histórias que conta demonstrem precisamente o contrário.

"Na fronteira de Angola com a Zâmbia, fui obrigado a andar 16 horas de canoa num dia e mais quatro horas no outro, porque as cheias inundaram a estrada que ficou submersa. Logo a seguir passei três dias em areia a empurrar a bicicleta e ainda tive o azar de partir as duas rodas e tive que me desenrascar com material local", revela Pedro Fontes.

Também na Zâmbia teve dois encontros com elefantes que "não deu para assustar na altura, mas, dez segundos depois, quando senti as pernas a gelar" e na mesma noite apanhou um hipopótamo. "Queria chegar à tenda e o animal estava entre mim e a tenda. Fui obrigado a dormir no bar do parque de campismo porque não saiu de lá durante toda a noite".

Na bicicleta Pedro Fontes ia preparado para qualquer eventualidade. Para além de algum dinheiro que tinha para as despesas diárias, transportava também uma tenda, saco-cama, colchão, fogão, panelas e alguns mantimentos.

Durante a sua viagem solitária nunca lhe passou pela cabeça desistir. Embora, quando se deparava com uma subida íngreme "pensava duas vezes". Por outro lado, "quando se está 8 ou 9 horas em cima da bicicleta é a solidão total, praticamente não se fala com ninguém".

Tanto a família, como os amigos ou colegas encararam toda esta saga como uma loucura.

"A reacção natural era, vem aí o maluco da bicicleta". Mas Pedro Fontes sublinha que, por onde passava, era sempre bem acolhido.

 "A população local sentia muita curiosidade e era muito hospitaleira, sempre com muitas perguntas: de onde é que vem e para onde vai, se os pneus ainda são os mesmos...chegavam a perguntar se a bicicleta tinha motor e perguntavam sempre quanto dinheiro é que eu estava a ganhar".

A Mota-Engil deu todo o apoio logístico necessário e por todas as obras onde passou sempre foi "recebido de braços abertos".

"A parte mais bonita e enriquecedora da minha viagem foi a forma simples, simpática e acolhedora como fui recebido principalmente nas zonas do interior. Para mim o melhor foi ouvir as recordações dos mais velhos e passar a mensagem para os mais novos de que é possível seguir os nossos sonhos".

Pedro Fontes viveu e trabalhou sete anos em África e nesse aspecto, as descobertas ao longo da viagem, não foram uma novidade ou um choque.

"Confesso que estava à espera de encontrar mais dificuldades e estar por minha conta mais dias e coloquei até a hipótese de dormir algumas vezes no mato completamente sozinho e passar talvez uma semana sem água ou luz e isso não aconteceu. Uma pessoa tem é que pôr de lado todos os luxos ocidentais e pensar que, se a população local vive assim, também consigo".

Pedro Fontes está a actualizar o seu blog http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/, onde narra todas as aventuras pelas quais passou nesta experiência de vida.

"O que eu aprendi é que se uma pessoa acredita naquilo que quer fazer, apesar de todas as dúvidas iniciais, começar é metade do caminho pois, o mais importante, é não viver nos se."


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