Número 36 . Novembro 2010
Es Kabu Verdi Di Speransa

Cabo Verde é independente há 35 anos e já alcançou metas que lhe permitem ser apontado como um exemplo a seguir.

"Olhem para Cabo Verde e vejam o exemplo do que é boa governação e esforço para o crescimento económico, respeito pelos direitos humanos e trabalho pela melhoria da qualidade de vida da sua população". A frase é de Hillary Clinton, quando a secretária de Estado norte-americana visitou o arquipélago no ano passado.
Hillary Clinton não é caso único nos elogios.
"Cabo Verde é um país único. Está no caminho correcto e tem a certeza do dever cumprido. Muitos outros, com recursos naturais, estão longe de alcançar os resultados cabo-verdianos" é a opinião da representante da ONU em Cabo Verde quando da avaliação dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Esta avaliação evidencia de forma bem clara o porquê do elogio de Hillary Clinton:
- Em duas décadas reduziu a pobreza para metade. A população mais pobre baixou dos 49 por cento, em 1990, para 24 por cento em 2009.
- A educação primária universal está a níveis do "primeiro mundo". Actualmente a taxa de escolaridade ronda os 90, quando em 1990 era apenas de 72 por cento.

Até o FMI tece elogios às autoridades de Cabo Verde. Segundo a vice-directora da Divisão África do FMI, são "prudentes" e "positivas" as políticas económicas e financeiras levadas a cabo no último ano pelo governo de Cabo Verde.

Por outro lado, Cabo Verde situa-se actualmente em nono lugar no índice de desenvolvimento dos países africanos e até em alguns indicadores supera largamente muitos países europeus. É o caso da Liberdade de Imprensa em que está em 26º lugar, acima, por exemplo, de Portugal.

Em 2008 Cabo Verde passou a integrar o grupo dos Países de Desenvolvimento Médio.

O mais relevante é que se conseguiu atingir estes valores num país com muito poucos recursos naturais e com fortes condicionantes climatéricas.

Não tem sido fácil a vida dos cabo-verdianos. Muitos têm procurado em outros países uma vida melhor. Calcula-se em cerca de um milhão o número de emigrantes cabo-verdianos. O dobro dos que vivem no arquipélago. As remessas dos emigrantes representam cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde.

O arquipélago tem poucos recursos naturais e, actualmente, é nos serviços que assenta a base económica do país. Segundo vários estudos, a aérea de Serviços representa 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde.
A principal aposta é o turismo. É em meados da década de 90 que o arquipélago começa a ser um destino de turismo de muitos europeus e africanos. Esta aposta tem crescido de um modo significativo e as ilhas são um paraíso para europeus à procura de sol e praia.

Entre 2000 e 2008, o número de turistas em Cabo Verde cresceu a uma média de 11,4% ao ano. Em 2008 Cabo Verde recebeu mais de 330 mil turistas, mais do dobro do que registou em 2000.

Além das receitas directas, o turismo também abriu portas a investimento estrangeiro, designadamente de portugueses e italianos e, mais tarde, espanhóis e ingleses. Foi neste sector que o Grupo Mota-Engil realizou duas obras emblemáticas e que deram um forte contributo para o turismo do arquipélago: a construção do Hotel Trópico e do novo aeroporto da Praia.

Para a aposta no turismo ter surtido efeito há um factor decisivo: segurança e estabilidade.

Cabo Verde viveu alguma instabilidade após a independência, em 5 de Julho de 1975. Os primeiros passos da independência foram dados em conjunto com a Guiné-Bissau. Este laço foi quebrado em 1980, após o golpe de estado liderado por Nino Vieira.
Cabo Verde viveu num regime de partido único que terminou em 1990. O multipartidarismo implantou-se, com a realização de eleições livres, e também um sistema democrático com uma normal alternância política.
Foi também a partir dessa data que Cabo Verde apostou num sistema económico e político de abertura. Privatizações e investimento estrangeiro impulsionaram o crescimento económico. O Acordo de Cooperação Cambial entre Cabo Verde e Portugal, em 1998, deu estabilidade à moeda. O apoio dos EUA, a partir de 2005, com a ajuda de 110 milhões de dólares contribuiu para se alcançarem indicadores sociais que são exemplo em todo o mundo e, por último, em 2008, o Acordo de Parceria Especial Cabo Verde - União Europeia abriu novas possibilidades ao arquipélago, designadamente a integração do arquipélago como região ultraperiférica da União Europeia.

Devido ao seu posicionamento estratégico, Cabo Verde tem ainda profundas relações com os EUA e vários países europeus para controlo de movimento de pessoas e mercadorias no Oceano Atlântico. Na cidade da Praia está localizado o Centro de Segurança Marítima (COSMAR), financiado pelos EUA e visa a fiscalização das águas territoriais cabo-verdianas.

Riqueza e diversidade cultural


Local de passagem, está no centro das principais rotas de navegação marítima no Oceano Atlântico, o arquipélago assimilou uma grande diversidade e riqueza cultural.

A começar pela língua. O crioulo é resultado de uma herança europeia e africana, de colonos europeus e escravos africanos. Também resultado dessa mestiçagem é a morna, uma fusão do fado com ritmos africanos. O mesmo sucede na gastronomia onde o prato de eleição é a catchupa, confeccionado com vários tipos de carne (frango, vaca, porco e enchidos) acompanhado de milho, feijão ou favas, batata e couve. Ainda nesta área, é imperdível a sobremesa de queijo de leite de cabra acompanhado com doce de papaia.

São inúmeras as figuras que, internacionalmente, projectam esta riqueza cultural de Cabo Verde. A vários níveis: música, pintura e literatura. Entre os mais conhecidos, na música, destaca-se Cesária Évora (Prémio World Music), Lura, Mayra Andrade, Nancy Vieira, Paulino Vieira e Tito Paris. Para não falar do inesquecível Ildo Lobo.

Na literatura, destaque para Germano Almeida e o poeta Arménio Vieira, galardoado este ano com o Prémio Camões.

O Grupo Mota-Engil em Cabo Verde

A fase inicial de actividade do Grupo Mota-Engil em Cabo Verde ficou marcada pela construção do Hotel Trópico e do Aeroporto Internacional da Praia, no inicio de 1998. Esta última infra-estrutura além de uma forte componente simbólica - foi o primeiro aeroporto a ser construído e certificado depois da independência -, teve um forte impacto na dinamização da economia de Cabo Verde, impulsionando o turismo e as trocas comerciais.

O passo seguinte foi em 2007 quando o Grupo abriu uma sucursal na Cidade da Praia, a Mota Engil Engenharia Cabo Verde (MEEC). Desde essa altura tem vindo a alargar e a diversificar as suas áreas de negócio. Além das obras públicas e habitação o Grupo Mota-Engil desenvolve já actividades em Cabo Verde na área de resíduos sólidos ao constituir a AGIR. De salientar ainda que, no universo do Grupo Mota-Engil, a CPTP também tem uma sucursal em Cabo Verde e foi adquirida a Penta, dedicada a aluguer de equipamento de construção.

Cerca de 225 pessoas estão a trabalhar em Cabo Verde nas empresas do Grupo Mota-Engil.

Dos vários projectos que o Grupo está a desenvolver em Cabo Verde, destaca-se a ampliação do cais e construção dos respectivos edifícios de apoio no porto da Palmeira, no Sal, a construção da rede de esgotos e saneamento e a rede de distribuição de água nas cidades da Praia e da Calheta e a ornamentação e regularização das bacias hidrográficas de Picos e Engenhos, em Santiago.
Destaque também para a participação do Grupo Mota-Engil no Plano Nacional de Gestão de Água de Cabo Verde, através da construção de vários diques na ilha do Maio e de sistemas de bombagem de água em Santo Antão.

O objectivo é, nos próximos três anos, sextuplicar o volume de negócios ao atingir 120 milhões de euros. Um outro objectivo é estabelecer parcerias, em todas as áreas de negócios, com empresas cabo-verdianas.

CARACTERIZAÇÃO

Sistema político: República
Independência: de Portugal em 5 de Julho de 1975

Superfície: São 4.033 quilómetros quadrados, divididos por dez ilhas - Santo Antão; São Vicente; Santa Luzia; São Nicolau; Sal e Boavista (Barlavento); Maio, Santiago, Fogo e Brava

Localização: Oceano Atlântico, a cerca de 450 Km a Oeste do Senegal, na costa ocidental africana.

Capital: Praia (Ilha de Santiago)

População: 503 mil habitantes. Santiago é a ilha mais populosa, com mais de 50% dos habitantes, seguindo-se São Vicente (15%) e Santo Antão (11%).

Densidade populacional: 118 hab./km² . 55% da população está concentrada em meios urbanos.

Média de idade da população: 20 anos

Esperança média de vida: 72 anos (69 para homens; 75 para as mulheres)

Clima: Tropical seco.

Língua: Português é a língua oficial. Crioulo.

Descoberto em 1460 

Moeda: ECV (Escudo Cabo-Verdiano)
PIB: 1.730 mil milhões de dólares (130 mil milhões de escudos cabo-verdianos)
Rendimento per capita: 3.436 dólares


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