Número 36 . Novembro 2010
ECOSCÓPIO
SUMA cultiva a consciência ambiental junto das escolas

Terça-feira, 1 de Junho. Antes das 9 horas da manhã, o autocarro de transporte colectivo transformado pela SUMA em unidade móvel de sensibilização, e baptizado como Ecoscópio, já estava estacionado frente à Escola Básica 2/3 Visconde de Juromenha, na Tapada das Mercês, em Sintra. Calhou ser no dia internacional dedicado à criança, mas o programa de acções de incentivo ao sentido da responsabilidade dos jovens alunos foi, nesta jornada, idêntico ao desenvolvido pelas equipas do Ecoscópio nos outros dias do ano em, por agora, oito concelhos do país - para além de Sintra, em Alcobaça, Aveiro, Batalha, Caminha, Constância, Oliveira do Bairro e Vila Nova de Gaia.

Cinco minutos depois das 9 da manhã começou a primeira sessão. Uns vinte alunos do quinto ano e a sua professora trocaram a sala de aula na escola por uma sessão prática no Ecoscópio.

Dez alunos foram encaminhados para um auditório onde Catarina, 27 anos, técnica de educação ambiental, liderou um pequeno teatro de marionetas, "Dona Bota e o Amigo Contentor" que, com inteligência, explica como produzimos cada vez mais lixo e incentiva todos para que "tomem atitude" na construção de ambiente melhor para todos. "Dona Bota" trata de explicar, por exemplo, como "uma garrafa velha pode vir a ser uma garrafa com vida nova" ou como de "um velho plástico se pode conseguir a matéria para construir um móvel", enquanto o "Amigo Contentor" se queixa "dos desleixados que deixam o lixo encostado mas fora do contentor que, assim, fica a ter que se haver com os cães e outra bicharada que não o larga".

Ao mesmo tempo, outra dezena de alunos daquela turma estavam noutro auditório do mesmo Ecoscópio onde Pedro, 36 anos, enquadrou a projecção de "power points" e vídeos de sensibilização ambiental. No final da apresentação os alunos trocaram de auditório: os que tinham participado na acção com o teatro de marionetas passaram ao auditório para os vídeos, e vice-versa. Pelo meio, todos exploraram os computadores na sala polivalente do Ecoscópio, com outros programas de promoção da sustentabilidade ambiental e da boa política dos cinco "R" (redução, reutilização, reciclagem, respeito e responsabilidade).

Ao longo da jornada, hora a hora, sucessivamente, outras alunos e outras turmas da EB 2/3 Visconde da Juromenha participaram em sessões como esta de demonstração das vantagens e prejuízos colectivos decorrentes da atitude tomada por quem produz resíduos.

Os jovens alunos, à medida que saíam de cada sessão, mostravam-se conquistados pela sensibilização ambiental: a Ana Catarina e a Inês, ambas com 11 anos, quase discutiam sobre qual delas iria conseguir melhores resultados na separação dos lixos de lá de casa. O Bruno, com 11 anos, vinha impressionado com o que tinha fixado da projecção, e repetia que muitas crianças morrem pelo mundo devido a doenças relacionadas com o lixo. A Jeanette, 11 anos, nascida na Moldávia, contava ao Diogo, 10 anos, colega de turma, que na casa dela levam sempre as garrafas de vidro para o vidrão. O Luís, 11 anos, acrescentou que atira as pilhas gastas para o pilhómetro. A Inês, 10 anos, prometia "não deixar que o cocó do cão fique nos passeios, tudo deve ser recolhido e depositado no contentor".

Patrícia Fragoso, professora de turmas em área projecto na EB 2/3 Visconde de Juromenha, elogiou a acção do Ecoscópio, que "veio complementar a política de educação ambiental muito cultivada pela escola", onde os alunos integram brigadas verdes e participam em hortas pedagógicas.

Alexandra Pericão, coordenadora das áreas de Educação e Sensibilzação Ambiental (ESA) e de Imagem e Comunicação Institucional (ICI) na estrutura da SUMA destaca os resultados que acompanham as campanhas de sensibilização desenvolvidas, neste caso, em Sintra: "Desde o início deste projecto, em 2001, verifica-se  que a recolha selectiva de resíduos aumentou de 28%, enquanto a quantidade de resíduos indiferenciados já tem uma redução de 8%. As metas operacionais para o ano lectivo 2009/10, fixadas pela SUMA com estabelecimentos de educação e ensino de Sintra, visam conseguir o aumento de 10% nos indicadores de deposição selectiva dos resíduos para valorização por reciclagem, e a redução de 2% da quantidade de resíduos indiferenciados. É um benefício colectivo e, directamente para o município contratante, o acréscimo da mais valia da gestão financeira dos resíduos, sabendo-se que a confinação técnica dos resíduos indiferenciados custa na ordem das dezenas de euros por tonelada, enquanto a entrega dos valorizáveis custa zero".

Em 1 de Setembro, dia da abertura do novo ano escolar, os veículos de transporte colectivo reconvertidos em unidades móveis de sensibilização estarão de volta às escolas. O Ecoscópio é uma das várias intervenções da imaginação da SUMA para cultivar a cidadania activa na área ambiental, tendo por alvo a população escolar, mas também todos os cidadãos em geral. A Lixoteca, a Reutilândia, o Cidadómetro, a Lixomachimba e a Ecomachimba são outras marcas desenvolvidas pelo Programa de Educação Ambiental da SUMA, servido por quinze unidades móveis de sensibilização em Portugal e Angola, com dezenas de modelos de acção tais como "Rua Asseada", "Nada se perde", "A lata de quem polui", "Eco-desafio", "Pedigree",  "Sabientar" ou "Suminhos". O Ecoscópio tem por mote "abre os olhos, toma atitude, passa a palavra" e acrescenta: "cumpre e faz cumprir, troca coisas por sorrisos".


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