Número 36 . Novembro 2010
Fabrico e Comercialização de Misturas Betuminosas

Como é por demais conhecido, o mercado de fabrico e comercialização de misturas betuminosas encontra-se bastante competitivo e agressivo. Nos últimos tempos, temos assistido a permanentes flutuações e aumentos do preço do crude a nível mundial, com efeitos directos, tanto na nossa actividade, como na balança de transacções do país.

Uma das formas de nos diferenciarmos da concorrência é "Inovar com Saber", buscando novas soluções de fabrico e aplicação de misturas betuminosas.

Neste momento, estão em curso dois projectos de "Inovação com Saber" que nos permitirão ser ainda mais competitivos:

• 1. Misturas Betuminosas com Betume-Borracha por Via Seca

Actualmente, são admitidos dois métodos de incorporação de borracha de pneus usados em misturas betuminosas: a denominada via húmida, de uso corrente em Portugal, e a via seca.

A utilização da via seca no fabrico de misturas betuminosas em Portugal é um projecto pioneiro e inovador e tem sido objecto, nos últimos anos, de vasta investigação pelo Director Técnico da Mota-Engil, Pavimentações (Dr. José Luís Feiteira Dias) nos seus trabalhos com vista à realização de doutoramento - actualmente a decorrer no Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, sob orientação do Prof. Doutor Luís Picado-Santos.

A Mota-Engil, Pavimentações concluiu em Maio de 2009 a empreitada "EN 370 - Beneficiação entre Avis e o LD Portalegre / Évora". Para a camada de desgaste, estava prevista uma mistura betuminosa rugosa com betume modificado com borracha de pneus usados do tipo "Continous Blend", que conduz a betumes modificados com alta percentagem de borracha (18-22%) e que é produzida junto da central de fabrico de misturas betuminosas com processo próprio.

Nesta empreitada foi utilizada pela primeira vez em Portugal a técnica de fabrico por via seca da mistura betuminoso rugosa com betume modificado com borracha de pneus usados (MBR-VSF) com total satisfação do dono de obra EP - Estradas de Portugal (Fig. 1).

 • 2. Reciclagem a Quente "In Situ"

 O Protocolo de Quioto foi aprovado no final de 1997 para resolver o problema do aquecimento global, reduzindo o efeito dos Gases de Efeito Estufa (GES)

É importante para a indústria de construção de pavimentos rodoviários poder contribuir para estas mudanças de forma pró-activa na execução de pavimentos com tecnologias de reciclagem que vão ajudar a atingir os objectivos de redução de GES.

Tendo em conta as preocupações mundiais relativas á redução de GES, a nossa empresa apresentou um projecto de Reciclagem a Quente In situ que foi aprovado pelo QREN e que tornará a nossa empresa líder na reciclagem de pavimentos, aliando de forma importante o nome da Mota-Engil a processos inovadores a nível técnico-económico sem nunca esquecer a importância de minimizar os impactes ambientais da nossa actividade.

Os pavimentos reciclados, aplicando esta técnica, satisfazem os critérios de pavimentos sustentáveis.

Um pavimento para ser sustentável precisa de ser seguro (características funcionais) e eficiente (características estruturais) sem nunca esquecer o meio ambiente e as necessidades dos utentes actuais e sem comprometer as gerações futuras.

Os principais critérios estabelecidos para um pavimento sustentável são:

  • Optimizar a utilização dos recursos naturais
  • Reduzir o consumo de energia
  • Reduzir as emissões de GES
  • Limitar a poluição
  • Melhorar a prevenção em saúde, segurança e risco dos utentes
  • Garantir um elevado nível de conforto e segurança dos utentes


Esta tecnologia aborda todos estes critérios e suporta um "zero resíduos" para a reabilitação do pavimento rodoviário, onde o material existente é aproveitado e reutilizado, ou seja, finalmente, 100% do pavimento é reciclado.

Essencialmente, não há recursos desperdiçados e a necessidade de materiais adicionais ao pavimento é minimizada, daí resultando: a diminuição de material transportado por camião, a redução de emissões de C02, uma menor incorporação de betume - e, portanto, uma redução na importação de crude -, menores quantidades de inertes e, por conseguinte, menor impacte ambiental e paisagístico.


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