Número 36 . Novembro 2010
JOYCE NGWIRA
A responsabilidade da Qualidade no Malawi

Joyce Ngwira tem 27 anos de idade e é detentora de um Bachalerato em Engenharia Civil pela Universidade do Malawi. Joyce integra os quadros da Mota-Engil Engenharia e Construção Malawi, empresa registada no Malawi  que se dedica à construção de estradas e obras públicas, mineração, energia e logística. A Mota-Engil Engenharia e Construção do Malawi é actualmente o maior empreiteiro do país e procura diversificar o seu negócio olhando para outras oportunidades de negócio, mantendo-se fiel ao Plano Estratégico Ambição 2013.

Que funções desempenha na empresa e em que área?

Actualmente desempenho duas funções na empresa. Em primeiro lugar sou a Gestora da Qualidade responsável pelo Departamento da Qualidade, Segurança e Ambiente da Empresa. As minhas principais responsabilidades são supervisionar o desenvolvimento e implementação dos três sistemas de gestão, funcionando, assim, como apoio para os Gestores da Segurança e do Ambiente à medida que desenvolvem os respectivos sistemas. O departamento foi dividido em diversas áreas e a minha tarefa é desenvolver e implementar o Sistema da Gestão da Qualidade da Mota-Engil Malawi. Estamos igualmente no processo da Certificação da Qualidade. Por isso é meu dever assegurar a certificação da organização, garantindo a documentação adequada, o conhecimento do sistema em toda a organização, formar os trabalhadores e dar a conhecer nas diversas áreas da empresa as práticas da qualidade, gestão do conhecimento, assegurando o registo adequado das práticas de manutenção, assim como a satisfação de todos os nossos clientes.

Sou igualmente a Gestora da Marca e sou responsável por todas as questões que estão relacionadas com a marca no Malawi. Assegurar o adequado conhecimento da marca, controlar a utilização dos logótipos da empresa, supervisionar o desenvolvimento dos itens da marca a utilizar no mercado, bem como fazer a ligação com a área de Gestão da Marca na Sede em Portugal, a fim de garantir que todos os itens da marca da Mota-Engil Engenharia e do Grupo Mota-Engil são distribuídos e geridos de forma adequada no Mercado.

Como e quando se deu a sua integração no Grupo Mota-Engil?

Juntei-me ao Grupo Mota-Engil em Julho de 2007; estava a trabalhar numa firma de consultoria que estava a supervisionar algumas obras da Mota-Engil e fui convidada para realizar um workshop em Perfuração e Explosivos que a Mota-Engil estava a levar a cabo no país. O formador e a gestão da Mota-Engil reparam em mim e pediram-me que me candidatasse a um trabalho na Mota-Engil, e o resto já sabem.

O que significa para si estar integrada numa estrutura com a dimensão do Grupo Mota-Engil (vantagens e desafios)?

Fazer parte do Grupo Mota-Engil alarga muito as nossas ideias. Abriu-me os olhos para o conhecimento e a experiência que não podem ser alcançados em nenhuma outra organização no Malawi e no mundo. É uma honra e ao mesmo tempo um privilégio fazer parte do grupo. Todos os dias são dias diferentes, cheios de oportunidades e de desafios, e como gosto de enfrentar desafios, o Grupo Mota-Engil permite-me perceber que há oportunidade para crescer dentro da organização. Como se trata de uma multinacional, tenho a oportunidade de trabalhar, não apenas no Malawi mas, com esforço, o meu conhecimento pode ser utilizado noutros mercados do Grupo.

Os desafios consistem em ter de trabalhar todos os dias com mais empenho e melhor para satisfazer as elevadas normas estabelecidas pela organização. Não podemos criar valor e sustentabilidade sem isto e como a organização tem como objectivo a melhoria contínua, acredito que, à medida que o tempo passa, estarei continuamente a melhorar enquanto fizer parte do Grupo.

Fale-nos um pouco do seu trajecto profissional antes de integrar o Grupo...

Enquanto estudava para me formar na Universidade do Malawi passava todas as minhas férias a trabalhar com uma Firma de Consultoria aqui no Malawi e, desde 2003, todos os trabalhos que me foram atribuídos tinham como empreiteiro a Mota-Engil Malawi. Durante este tempo trabalhei como supervisora em projectos como a Auto-estrada de Mugabe e a Estrada de Mponela Ntchisi, todos os projectos que ajudaram a construir a imagem da Mota-Engil aqui no Malawi.

Depois de terminar o meu curso em 2006, fui trabalhar para a Firma de Consultoria a tempo inteiro, como Engenheira de Projecto de Auto-estradas. Nessa altura a empresa tinha projectos em todo o país e eu fiquei responsável por todos os projectos da região central, por isso tinha a meu cargo a supervisão de cinco projectos e prestava ainda assistência aos concursos relativamente a novos projectos. Nessa altura tive a oportunidade de fazer parte da construção de seis escolas secundárias, um projecto de alojamento, reabilitação de pequenas barragens de terra e alguns projectos de auto-estradas. A experiência que ganhei e o tempo que despendi no local, assim como a minha capacidade de aprender depressa, prepararam-me para o que viria a acontecer a seguir.

Desde essa altura tenho estado com a Mota-Engil.

No seu percurso no Grupo, identifique um projecto, desafio, ou contexto em que tenha gostado particularmente de estar envolvida.

Para mim é muito simples, pois estou actualmente envolvida nesse projecto. Nós, como Mota-Engil Malawi, estamos actualmente a trabalhar no Processo de Certificação para o nosso Sistema de Gestão da Qualidade. Isto deu um novo sentido à minha carreira. Tive a oportunidade de viajar até Portugal e de trabalhar e de aprender com grandes personalidades de vários departamentos e de várias áreas da empresa.

Todos os dias são um novo desafio e são-me reveladas coisas diferentes sobre a qualidade. Acredito que o conhecimento que estou a adquirir através desta experiência tem um valor inestimável. Sinto-me muito honrada pela empresa ter confiado em mim ao ponto de ser responsável por este projecto. Estou a deparar-me com grandes desafios em várias frentes. Como procuramos continuamente melhorar os nossos processos e também assegurar que o sistema seja completamente documentado, estou a adquirir um vastíssimo conhecimento e uma grande experiência que me ajudarão a prestar assistência na definição de estratégias para o Grupo Mota-Engil.

O que mais gosta de fazer quando não está a trabalhar?

Quando não estou a trabalhar, podem encontrar-me num campo de basquetebol. Jogo numa equipa feminina de basquetebol, pelo que estou, ou a treinar, ou a jogar ou a assistir a jogos. Se não estiver aí, então poderei estar em frente à televisão, nomeadamente a ver filmes ou séries de comédia.

Se não estiver a ser fanática do desporto nem a ser preguiçosa, então estou fora de casa com amigos, frequentemente no lindo lago Malawi, que me consegue sempre transmitir uma grande paz quando estou sentada na areia a admirá-lo.

Indique um livro e um filme que a tenham marcado e partilhe connosco as razões para as suas escolhas...

Deixei de ser uma leitora assídua, as minhas leituras resumem-se a artigos relacionados com o trabalho, mas quando me sentava e lia um bom livro era - e continuo a ser - uma romântica. Lembro-me de um livro "Ashes in the Wind" da Kathleen E. Woodiwiss. Era a história de uma jovem rapariga cuja casa é destruída pelo fogo durante a guerra e, para sobreviver, ela teve de se fazer passar por rapaz para se proteger de violações e outras formas de tortura. A luta dela e o eventual final feliz, pois ela consegue apaixonar-se e mais tarde reconstruir a casa dos pais, foi uma coisa que realmente me tocou e, como dizem, das cinzas pode nascer uma rosa.

Em relação aos filmes, vejo demasiadas comédias. Os filmes baseados em histórias verdadeiras costumam fazer-me chorar, por isso tento o mais possível ver filmes que me façam rir ou que tenham um final feliz. Mas talvez possa mencionar o filme "Singin' in The Rain" (1952). É apenas uma história sobre o modo como uma rapariga que parecia vulgar foi capaz de ser bem sucedida num mundo onde as aparências exteriores eram tudo, os seus talentos e grande espírito de trabalho foram a chave do seu êxito.

Se tivesse oportunidade de viajar no tempo para conhecer qualquer pessoa, quem escolheria (e porquê)?

Rosa Parks, "a mãe do Movimento dos Direitos Cívicos". Honestamente não fez grande coisa mas, com um simples e corajoso acto, foi capaz de mudar a forma como muita gente sentia e se comportava. Gostaria de saber o que leva uma pessoa a dizer finalmente "basta, que já é demais". Talvez não exactamente pelas mesmas causas, porque agora vivemos num mundo diferente por causa do que ela fez, mas gostaria muito que me desse alguns conselhos sobre como ser capaz de agarrar o touro pelos cornos e como enfrentar os meus momentos de medo.

De uma forma geral, que características mais aprecia nas pessoas?

A honestidade. Para mim a honestidade é tudo. Acredito que a maior parte das confusões ou dos desentendimentos nascem de mentiras. Se uma pessoa for honesta consigo própria e honesta comigo, então terá a minha fidelidade.

Indique uma característica que considere comum à Mota-Engil como Grupo e a si como pessoa, e que considere determinante para continuarmos a construir o futuro.

Uma das características que posso mencionar é a da diversidade. Em todos os mercados em que o Grupo Mota-Engil participa haverá diversidade no nosso negócio, diversidade nos nossos trabalhadores e diversidade nos nossos métodos de conduzir o negócio. Acredito que isso seja essencial na nossa conquista para vencer o futuro.

Do mesmo modo tive a oportunidade de ser educada enquanto vivi em diversos países; esta educação multi-cultural incutiu em mim a característica da diversidade. Sou capaz de trabalhar em diversas áreas e com diferentes pessoas e a minha aceitação das diversas culturas é o que me permite ser capaz de fazer o que faço e de pretender ascender a outros níveis à medida que também vou continuando a construir um futuro. O Grupo Mota-Engil é o local ideal para eu estar, porque a diversidade me proporciona espaço para crescer e me dá a oportunidade de experimentar novos desafios. Visto daqui, o futuro só pode parecer mais risonho.

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