Número 36 . Novembro 2010
Polónia, no centro da Europa

Ao longo da antiguidade tardia diversos grupos étnicos povoaram a região hoje ocupada pela Polónia.
Velha nação europeia de séculos, a fundação da Polónia remonta ao século X.
País de forte tradição católica, a Polónia fragmentou-se em vários estados no decurso do século XII; Ladislau I torna-se em 1320 rei da Polónia reunificada.
Sob os monarcas jaguelões, dinastia originária da Lituânia, a Polónia conheceu ao longo do século XVI a sua idade do ouro, sob os auspícios da Comunidade Polaco-Lituana, resultante da aliança com o Grão-Ducado da Lituânia.
Após um período de expansão territorial e fortalecimento da nobreza, revoltas internas devastaram a nação polaca, conduzindo no último quartel do século XVIII à partilha da Polónia pela Rússia, Prússia e Áustria.
Reconquistada a sua independência em 1918, a Polónia voltaria a perder a sua soberania após a eclosão da II Guerra Mundial em 1939, a que se seguiu a partilha do se território entre a Alemanha e a União Soviética como consequência do pacto Ribbentrop-Molotov.
Destroçada pela II Guerra, tendo sido o país que mais vidas perdeu em percentagem da sua população no maior conflito armado do século XX, a Polónia ressurgiu independente, perdendo no entanto cerca de 20% do seu território.
Após mais de 30 anos de regime comunista e na sequência da formação do sindicato independente "Solidariedade" (Solidarnosc), liderado por Lech Walesa, que esteve na origem das revoltas laborais do início dos anos 80, foi instaurado o regime democrático com a realização em 1989 das primeiras eleições livres.
Lech Walesa foi eleito como primeiro Presidente da nova Polónia democrática.
A Polónia aderiu à NATO em 1999 e tornou-se membro da União Europeia em 2004, passando assim a trilhar um novo ciclo do seu longo e rico processo histórico.
Democracia parlamentar, o território da República polaca ocupa em plena Europa Central uma superfície de 312.679 km2, confrontado com o território de 7 países europeus.
Com uma população de cerca de 38.5 milhões de habitantes, maioritariamente de origem e língua polacas, a Polónia está dividida em 16 províncias, tendo por capital Varsóvia.
Cracóvia, Gdansk, Wroclaw, Poznan e Katowice, figuram entre as principais cidades polacas.
Estendendo-se pela planície da Europa do Norte, a paisagem polaca é caracterizada pela predominância das terras baixas, com excepção da sua fronteira Sul, onde se situam as montanhas Tatra, sector mais elevado dos Cárpatos.
Banhado pelo mar Báltico a Norte, onde se encontra a maior parte dos 9.300 lagos polacos, o Vistula, Oder, Warta e Bug constituem ainda, no plano fluvial, os maiores rios do território polaco.
As florestas cobrem cerca de 28% do país.
Fruto do seu posicionamento geográfico e características geomorfológicas, a Polónia tem um clima temperado continental, com invernos rigorosos, verões curtos e chuvosos e elevadas amplitudes térmicas anuais.
País de cultura, cruzam-se na Polónia desde há séculos as influências do diálogo intercultural entre o leste e o ocidente europeus, reflectidos na sua arquitectura, arte, literatura, música, que formam parte integrante de um património rico e multifacetado que a cultura polaca sempre legou à Europa e ao Mundo.

A Economia polaca

Após a instauração do regime democrático em 1989, a economia polaca sofreu um conjunto de profundas alterações no caminho para a sua liberalização e transformação numa economia de mercado.
As reformas económicas conduzidas a partir da década de 90 resultaram na privatização de um amplo conjunto de pequenas e médias empresas detidas pelo Estado.
O Plano Balcerowicz de reformas lançado em 1990 resultou na remoção dos mecanismos de controlo de preços, eliminação de subsídios à indústria, abertura dos mercados à concorrência internacional, apoiado numa rígida disciplina monetária e orçamental, que permitiram relançar a economia nos primeiros anos da década de 90.
A expansão económica e a geração de um clima favorável ao investimento foram responsáveis pela atracção sistemática e consistente de fluxos de investimento estrangeiro.
Embora o sector privado responda já por cerca de 2/3 do produto nacional bruto, o Estado continua a desempenhar um papel importante na economia, existindo ainda um caminho a percorrer no domínio da melhoria da regulação económica e da transparência e competitividade de alguns sectores da actividade económica, de forma a permitir reforçar a competitividade da economia do país.
As reformas a empreender no capítulo das finanças públicas mostram-se, por outro lado, essenciais para permitir a adesão da Polónia ao Euro prevista para 2012.
No plano sectorial, a agricultura polaca, embora contribua com menos de 4% para o produto nacional, emprega ainda mais de 16% da população activa.
Assente numa estrutura fundiária bastante fragmentada e com níveis de produtividade relativamente modestos, a agricultura polaca conserva, mau grado esse facto, um relevante potencial produtivo.
A Polónia é o maior produtor europeu de batata e centeio e um dos maiores produtores mundiais de beterraba e tritical, exportando ainda frutas e vegetais, carne e produtos lácteos.
A indústria polaca antes da última guerra mundial tinha por base importantes sectores da indústria pesada, em particular nos domínios do carvão, ferro e aço, químico e maquinaria.
Atingida pela guerra, a reconstrução da base industrial polaca conduziu à criação de grandes conglomerados industriais centralmente dirigidos de acordo com os preceitos da planificação económica.
Apesar da resistência à mudança de alguns dos sectores tradicionais da sua actividade industrial, mau grado as reformas empreendidas a partir de 1990, a Polónia logrou diversificar a sua base industrial, estendendo-se hoje aos sectores da indústria automóvel, construção naval, maquinaria, electrónica, indústria de fertilizantes e petroquímica, transformação alimentar, vidro, têxtil e bebidas.
A indústria polaca representa cerca de 31.3% do produto nacional produto, contabilizando o sector dos serviços cerca de 64.7%, o que diz bem do peso do sector terciário da economia, em linha como que é comum aos países mais desenvolvidos de que a Polónia faz parte.
O comércio externo polaco foi largamente dominado, até 1991, pela sua pertença ao COMECON.
Com a progressiva integração num espaço europeu mais alargado, a Alemanha tornou-se o principal parceiro comercial da Polónia, secundada pela Itália, França e Rússia.
As máquinas e equipamentos de transporte e bens intermédios manufacturados contam-se entre as principais exportações polacas; a maquinaria e o equipamento de transporte, bens intermédios manufacturados, produtos químicos, minerais, combustíveis e lubrificantes são alguns dos produtos mais importados.
No seu conjunto, a economia polaca exporta cerca de USD 190.5 biliões f.o.b. que, comparados com os cerca de USD 213.9 biliões f.o.b. de importações, revelam uma balança comercial apenas ligeiramente deficitária.
A partir da adesão à União Europeia em 2004, o acesso aos fundos estruturais, a par da continuação da política de reformas, forneceram um importante impulso à economia polaca.
O consumo privado aumentou nos anos mais recentes a uma taxa média na casa dos 5%, taxa só ultrapassada pelo consumo público que se cifrou num aumento de 7.6% em 2008.
No mesmo ano, o investimento cresceu 8.2%, depois de dois anos consecutivos de incremento assinalável (14.9% em 2006 e 17.2% em 2007).
Como consequência destes factores, a procura interna cresceu 7.3% em 2006, 8.7% em 2007 e 5.4% em 2008.
O produto interno bruto cresceu às taxas de 6.2%, 6.8% e 4.9% nos anos de 2006, 2007 e 2008, com níveis de inflação controlados, apesar do aumento verificado em 2008 em que a taxa de inflação se cifrou em 4.2%.
A taxa de desemprego conheceu uma trajectória descendente desde o ano 2006, tendo-se fixado em 7.1% em 2008.
A economia polaca não podia naturalmente ficar imune à recente crise económica e financeira mundial.
O crescimento económico abrandou no segundo semestre de 2008, mantendo-se todavia a níveis positivos no início de 2009, sem embargo de se prever uma contracção durante o corrente ano.
Prevê-se, no entanto, contrariamente ao que tem vindo a suceder noutras economias desenvolvidas, que o abrandamento da actividade económica se situe em níveis pouco expressivos.
A relativa independência perante o exterior, as baixas taxas de juro, os níveis de endividamento modestos do sector privado, a prossecução de vários projectos infra-estruturais (ex: Euro 2012) e a transferência de fundos da UE, conferem à economia polaca acrescida capacidade de resistência à crise.
A intenção do novo governo polaco em intensificar a política de reformas, modernizando o aparelho do Estado e acelerando o processo de privatizações deverá ainda ser acompanhada por um esforço acrescido de redução do deficit orçamental e do peso da dívida pública no produto interno, constituindo alguns dos principais desafios da economia polaca para os anos vindouros.

Oportunidades de investimento

Após a instauração do regime democrático, no final da década de 80, a Polónia tem vindo a empreender um conjunto muito significativo de reformas visando a modernização do seu aparelho produtivo, a adaptação às regras da economia de mercado e a privatização de importantes sectores da economia num contexto de abertura económica e competitividade acrescidas à escala internacional.
A Polónia é hoje um dos países mais atractivos da Europa para investir, em particular após a adesão à UE em 2004. O potencial de atractividade da economia polaca assenta num conjunto de factores unanimemente reconhecidos pela sua importância: dimensão territorial e posicionamento geográfico no centro da Europa; peso demográfico; mercado pouco saturado e favorável à expansão e escalabilidade de novos produtos e serviços; população jovem e com níveis de escolarização e qualificação elevados, contribuindo para um binómio custo/produtividade da força de trabalho amplamente favorável, que se traduz em condições de competitividade acrescidas face aos demais parceiros europeus; o bem sucedido esforço de contenção das tensões inflacionistas e a estabilização da política monetária, permitindo situar as taxas de juro a níveis próximos dos países da zona Euro; um vasto e bem estruturado quadro de incentivos ao investimento estrangeiro, destinado a criar um ambiente favorável aos negócios e assente numa política de captação de investimento externo, enquanto requisito indispensável à modernização e racionalização do tecido produtivo.

O quadro de incentivos existente engloba o acesso a zonas económicas especiais, obtenção de isenções fiscais e um regime de tributação em geral favorável à actividade das empresas.
A integração na União Europeia, para além de aumentar o grau de abertura ao exterior da economia polaca e de elevar o potencial de credibilidade do país no esforço de atracção de investimento externo, veio ainda permitir o acesso aos fundos estruturais da União.
O acesso aos fundos estruturais viabiliza a capacidade de investimento do país em sectores vitais da sua economia, designadamente na sua componente infra-estrutural, que tem conhecido forte incremento nos últimos anos.
O programa de privatizações tem sido ainda um elemento central da transição da Polónia para uma economia de mercado e da política económica do governo, oferecendo aos investidores estrangeiros boas oportunidades de entrada no mercado polaco.
Alguns sectores industriais, em especial os responsáveis pela produção de bens transaccionáveis e de valor acrescentado, foram identificados como os de maior potencial de crescimento. Avultam neste segmento os serviços financeiros, call-centres, centros de serviços partilhados e de tecnologias de informação e comunicação, electrónica, biotecnologia, aviação e sector automóvel.

Para além destes, o sector infra-estrutural merece especial atenção. A rodovia polaca tem conhecido nos últimos anos forte expansão. Com mais de 300.000 kms, é a quarta maior da Europa, respondendo por cerca de 3/4 do transporte de pessoas e bens. Contabilizando pouco mais de 1.400 kms de auto-estradas e vias rápidas e necessitando uma boa parte da rede viária de trabalhos de reabilitação e manutenção, este segmento oferece inúmeras oportunidades de investimento. O plano de expansão da rede rodoviária prevê a construção de quase 3.000 kms de novas vias num horizonte temporal de 10 a 15 anos, que permitirá ligar entre si por auto-estrada ou via rápida as principais cidades polacas e estabelecer a conexão com os países vizinhos, integrando plenamente a Polónia na rede transeuropeia de transportes.

A rede ferroviária polaca é uma das mais extensas do mundo, com cerca de 24.000 kms de vias. Reclama no entanto um esforço, em curso, de modernização da sua infra-estrutura, material circulante e equipamento de sinalização e telecomunicações, traduzindo por isso interessantes oportunidades de negócio.

O sector portuário polaco conta com quatro importantes portos marítimos, cuja localização se mostra relativamente afastada das principais rotas transoceânicas. Com um investimento previsto de € 440 milhões até 2013, proveniente em grande parte de fundos da UE, e beneficiando de boas ligações ferroviárias ao hinterland, antevêem-se interessantes perspectivas de expansão da actividade portuária na sua ligação aos países vizinhos, sobretudo do Norte e Centro europeus.

Globalmente, mais de 30% do investimento previsto em infra-estruturas para os próximos anos centrar-se-á no sector ferroviário e do ambiente, fazendo igualmente deste último segmento um significativo e preferencial veículo de investimento.
No sector ambiental, nos domínios da protecção ambiental, modernização da rede de abastecimento de água, saneamento e tratamento de águas residuais, em que o país denota ainda importantes deficits de cobertura, prevê-se para os próximos anos um investimento de cerca de € 3.2 biliões, suportado em boa medida pelo acesso aos fundos estruturais europeus

A Polónia defronta-se ainda com um conjunto de importantes desafios para os próximos anos: simplificar e tornar mais consistente o seu quadro legal e regulatório, reestruturar o sector agrícola, completar a reforma dos seus sistemas de saúde, segurança social e do seu sistema fiscal, prosseguir a modernização e privatização da sua base industrial, garantindo deste modo a sustentabilidade do seu modelo de crescimento.

O Grupo Mota-Engil e o mercado polaco

O Grupo Mota-Engil iniciou a sua actividade na Polónia em 1997, através da sua área de negócio Engenharia e Construção, com a adjudicação de dois contratos de construção e reabilitação de 142 obras de arte nas secções Wroclaw-Prady e Prady-Nogawczyce da auto-estrada A4.
Em 1998, o Grupo adquiriu a construtora rodoviária Krakowskie Przedsiebiorstwo Robót Drogowych, S.A. (KPRD) e, no ano 2000, a construtora de pontes, Przedsiebiorstwo Budowy Mostów w Lubartowie Sp. z o.o.
Em resultado da fusão destas duas empresas foi constituída em 2004 a Mota-Engil Polska, S.A.
Durante os seus mais de 50 anos de existência, a KPRD notabilizou-se na construção, reconstrução e modernização de infra-estruturas rodoviárias, aeroportuárias, ferroviárias e hidráulicas.
A Przedsiebiorstwo Budowy Mostów w Lubartowie Sp. z o.o., por seu turno, afirmou-se no mercado polaco como empresa de referência na construção de pontes, concentrando a sua actividade na região Sudeste da Polónia onde executou mais de 450 obras de arte ao longo de 40 anos de trabalho.
Agregando a experiência e o perfil diferenciado de competências das duas empresas, a Mota-Engil Polska tem vindo a desenvolver uma estratégia de expansão e diversificação do seu portefólio de negócios, designadamente para as áreas do imobiliário e edificação de imóveis e projectos no sector ambiental, em particular nos segmentos da água e do saneamento básico.
Em resultado desta estratégia, a Mota-Engil Polska não só consolidou a sua posição regional (Sul e Sudeste do país), como alargou a sua intervenção à generalidade do território polaco.
No seu processo de crescimento e consolidação, a Mota-Engil Polska investiu fortemente na renovação e aquisição de equipamento pesado, recrutamento, formação e qualificação de quadros jovens e melhoria dos seus sistemas de gestão, que lhe permitem hoje participar nos mais complexos e exigentes projectos nos domínios da engenharia e construção.
Entre as suas obras e projectos mais emblemáticos figuram a construção de vários troços da auto-estrada A4, ligando ao longo de 670 kms o Sul da Polónia entre as suas fronteiras com a Ucrânia e a Alemanha, o troço Myslenice-Pcim da via de conexão entre o Norte e o Sul do país, Expressway S7, a reabilitação dos troços Kraków-Targowisko e Targowisko-Tarnów da estrada nacional Nº 4 e, no capítulo ambiental, os sistemas de saneamento da cidade de Torun.
Actualmente, a Mota-Engil Polska tem em carteira mais de 50 contratos, de que se destacam o complexo residencial de luxo "Angel Wings" em Wroclaw, o projecto imobiliário Fajny Dom em Cracóvia, o troço Skarzysko Kamienna-Wystepa da Expressway S7 e uma ponte em Sandomierz.
Na área ambiental, e através da sua participada, Ekosrodowisko, sedeada no sul da Polónia, o Grupo actua nos sectores da recolha de resíduos sólidos urbanos e limpeza urbana.
Em linha com a trajectória de evolução do Grupo na Polónia, a Mota-Engil Polska está actualmente envolvida em processos de pré-qualificação de contratos com um valor estimado de 12 biliões de zlotys, prevendo-se ainda que no decurso de 2009 venham a ser lançados concursos para 39 novos troços de auto-estradas e vias rápidas.
Um enfoque acrescido no sector ferroviário e a incursão noutras áreas de negócio, em particular no vasto sector do meio ambiente, estão ainda nos horizontes da Mota-Engil, num mercado em que o Grupo se mostra fortemente apostado em consolidar a sua posição e diversificar a sua actividade, mostrando-se permanentemente atento a novas oportunidades.

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