Número 36 . Novembro 2010
Building Information Model
na Mota-Engil Engenharia

BIM é a sigla para Building Information Model. O BIM está a transformar o negócio da construção a nível mundial, colocando as empresas de construção no negócio da informação, tornando-as mais competitivas naquela que é a Era do Conhecimento.

O conceito BIM pode ser utilizado não só pelos empreiteiros mas também pelos arquitectos, engenheiros, donos de obra e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estão em contacto com o projecto de construção.

Em Portugal, o conceito tarda em vingar. A Mota-Engil tem estado atenta ao conceito nos últimos anos e procurou aguardar que os donos de obra e projectistas tomassem a iniciativa já que, na génese do seu desenvolvimento, o conceito BIM é, fundamentalmente, colaborativo.  No entanto, como as potencialidades do BIM são tantas, a Mota-Engil está neste momento a estudar o conceito para mais tarde o generalizar a toda a empresa, não esperando, por isso, pelo arranque dos restantes actores do processo.

O que é o BIM?
O foco de atenção deve residir no “I”. É aqui que se concentra toda a potencialidade e valor do conceito BIM. O “I” é de INFORMAÇÃO e a grande distinção entre o tradicional processo de gestão e o novo modelo é a quantidade de informação que o gestor da obra possui para tomar as melhores decisões no decurso do processo construtivo.  Aquilo que anteriormente eram linhas e que compunham um projecto de arquitectura/especialidades passou a ser uma base de dados. E é sobre esta base de dados que todos os colaboradores Mota-Engil vão passar a trabalhar, ou seja, todos terão o mesmo ponto de referência.

Quais as suas vantagens?
As vantagens são inúmeras, sendo que três palavras devem merecer toda a nossa atenção: QUALIDADE, CUSTO e PRAZO. Certamente concordarão que são termos bastante familiares a todos aqueles que estão ligados à indústria da construção. Pois bem, o BIM irá contribuir para que haja um aumento exponencial da qualidade das empreitadas e uma redução do custo, do prazo e, consequentemente, do risco associado às mesmas.

QUALIDADE
Todo o processo se inicia com a modelação tridimensional dos edifícios e a detecção das incompatibilidades entre projectos de especialidades. Em Portugal, são raros os casos em que existe a figura do gestor de projecto, alguém  que garanta uma correcta articulação entre todos os intervenientes no processo construtivo.

Frequentemente, acaba por ser o empreiteiro a ter esse papel, sendo ele o responsável por estudar o projecto, detectar as incompatibilidades entre os vários projectos e pedir alterações aos projectistas. Contudo, como é fácil imaginar, quanto maior é um edifício, mais inglório e mais tempo demora esse trabalho, não sendo possível corrigir, numa fase inicial, todos os erros do projecto. Apesar da boa vontade e interesse do empreiteiro, este não possui o conhecimento nem as ferramentas adequadas para realizar esta tarefa num curto espaço de tempo. 

O BIM (e as ferramentas que o suportam) vieram colmatar esta lacuna e permitir uma pré-construção do empreendimento antes de se iniciarem os trabalhos de construção. 

A Mota-Engil, acreditando neste conceito, está neste momento a desenvolver um projecto piloto num edifício de habitação em Lisboa e pode, desde já, partilhar alguns resultados. Assim, passamos a apresentar a nossa obra piloto, a qual tem permitido acumular experiência e que irá servir de suporte a todas as afirmações a realizar daqui em diante.

Obra Piloto: Edifício de Habitação Multifamiliar, na Rua Presidente Arriaga, em Lisboa
Descrição: Composto por 6 pisos, sendo 2 abaixo da cota de soleira.
Área bruta de Construção: 3.560 m2

Destacam-se ainda dois aspectos importantes:

- Toda a gestão da obra está a ser feita de uma forma tradicional e em paralelo usando o conceito BIM, de forma a garantir que não ocorrem imprevistos decorrentes da nossa inexperiência em relação a esta nova gestão de obra e que estão sempre salvaguardados os interesses do cliente;
- Deve ser tido em conta que esta obra é pequena e que o impacte deste tipo de abordagem é proporcional ao tamanho e complexidade da mesma.

Assim, analisando os resultados após a modelação do edifício e de todas as especialidades,  é possível concluir o seguinte:
- Foram detectadas 107 incompatibilidades entre projectos;
- Ao serem detectados estes problemas numa fase inicial são evitadas muitas reclamações e pedidos de informação que, numa fase posterior, iriam atrasar o processo construtivo ou, em última instância, prejudicar a qualidade do edificado. O gráfico acima apresenta a distribuição destes problemas consoante a especialidade em causa.

CUSTO
Imaginem-se agora as vantagens de aliar a esta modelação uma medição automática de todos os elementos construtivos. Resultado: orçamentos mais completos, menos sujeitos a erros e a processos inflacionários indesejáveis.

Uma vez que este modelo 3D é uma base de dados, é possível extrair todas as quantidades e obter assim um orçamento mais fidedigno e que traga maior segurança a todos os stakeholders do processo.

É credível que, criando uma relação de confiança com os subempreiteiros e fornecedores, tratando-os como verdadeiros parceiros em todo o processo e partilhando com eles as vantagens do BIM, seja possível reduzir os custos do processo construtivo e, assim, oferecer aos clientes a qualidade típica da Mota-Engil a um preço cada vez mais competitivo.

PRAZO
A triangulação só está terminada com o prazo e os benefícios de trabalhar sobre uma base de dados, permitindo rapidamente realizar o planeamento da obra.
O tempo que anteriormente era dedicado a criar actividades num Gantt, proceder às dependências entre tarefas, pode ser optimizado para o planeamento e estudo de vários cenários de abordagem à obra. Desta forma, consegue-se também, através das técnicas mais avançadas de análise de risco, identificar as actividades críticas do processo para mitigar os riscos a elas associadas.

As vantagens não terminam aqui: a Mota-Engil tem já programada uma série de outros desenvolvimentos que levarão o conceito BIM à área do Aprovisionamento, da Qualidade, da Segurança e do Ambiente e, por que não, das infra-estruturas e pontes.

Sendo a eficiência um desafio permanente da Mota-Engil, as virtualidades deste sistema fazem dele um caminho seguro a percorrer nos próximos tempos.

Autoria do artigo:
Engº António Ruivo Meireles
(Departamento de Performance, Tecnologia e Inovação da Mota-Engil Engenharia)


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