O ano de 2008 ficou marcado por uma clara inversão na tendência de crescimento económico global verificada até meados do ano de 2007, em consequência de uma crise sem precedentes nos mercados financeiros internacionais, geradora, por sua vez, de um forte abrandamento da actividade económica à escala global. Com efeito, a crise financeira nos EUA, que teve a sua origem no mercado imobiliário - a denominada “crise do Subprime” - , contaminou todo o sistema financeiro internacional, provocando uma crise de confiança generalizada, pela incerteza quanto à dimensão e exposição das instituições financeiras àquele fenómeno, gerando uma aguda crise de liquidez, que se traduziu numa escassez do crédito, num expressivo aumento dos prémios de risco no financiamento e uma conturbação no regular funcionamento dos mercados de financiamento interbancário.
Ainda que sem exposição directa relevante ao fenómeno do crédito “Subprime”, a economia portuguesa sofreu, em 2008, os impactos da crise de confiança no sistema financeiro internacional, da subida dos preços das matérias-primas no primeiro semestre do ano, e da desaceleração da procura externa e interna. Neste contexto, foi conhecido, já em Fevereiro de 2009 que a economia portuguesa entrou em recessão, o que já não sucedia desde há cinco anos, com a quebra de 2,1% no quarto trimestre do ano, do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Este contexto adverso, dá por si mesmo, acrescida ênfase e significado aos resultados alcançados pelo Grupo Mota-Engil em 2008, completamente em contra ciclo com a realidade anteriormente descrita.
Assim, o Volume de Negócios Consolidado do Grupo Mota-Engil, cresceu 33% para 1,869 milhões de Euros, sendo a performance operacional das três Áreas de Negócio, Engenharia & Construção, Ambiente & Serviços e Concessões de Transportes, extremamente positiva, registando um expressivo crescimento na sua actividade, face a 2007, de 40%, 15% e 11% respectivamente.
Por sua vez o respectivo EBITDA Consolidado (Resultados Operacionais antes de Amortizações, Provisões e Perdas por Imparidade) cresceu 25%, ultrapassando os 311M€, sendo que por Área de Negócio, atingiu os 130M€ na Divisão de Engenharia & Construção, 66M€ no Ambiente & Serviços e 117M€ nas Concessões de Transportes.
O crescimento verificado em 2008, em linha, aliás com o horizonte estratégico do Grupo, registou-se não só ao nível da actividade mas igualmente na carteira de encomendas que registou um crescimento significativo nos mercados mais relevantes na Construção, Portugal, Angola e Polónia, mas também na área de Ambiente & Serviços.
A carteira de encomendas em Dezembro de 2008 era de cerca de 2,6 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre, sendo a nossa expectativa, publicamente partilhada com o Mercado de Capitais, que ao longo do ano de 2009, este montante possa ser reforçado, fruto de potenciais novas adjudicações, nos mercados onde o Grupo opera, e onde tem fundadas expectativas de sucesso comercial.
Os resultados financeiros, por sua vez, foram negativos em 129,8 milhões de euros, um crescimento de 21% face a 2007, o qual resulta obviamente de uma política de investimento orientada para o crescimento sustentável, e que teve em conta, em 2008, o equilíbrio entre as diversas áreas de negócio. Assim, de um investimento total de 274 M€, 75% constituiu investimento de expansão, sendo que na Área de Engenharia & Construção se investiram 119 M€ , no Ambiente & Serviços 66 M€ e na área de Concessões de transportes 90M€.
O investimento de expansão representou assim o principal factor de aumento do endividamento corporativo do Grupo, que se situava, no final do ano, em 903 M€, contra 800 M€ em 2007. Deste montante, 586 M€ estavam afectos à actividade operacional do Grupo, correspondendo os restantes 317 M€, a investimento em activos que não contribuíam para o EBITDA. Considerando este conceito, o Rácio Divida Líquida sobre o EBITDA do Grupo era, no final de 2008, de 3,0 o que traduz uma muito boa capacidade de reembolso da dívida corporativa através da capacidade de geração de Cash-Flow Operacional.
Adicionalmente, o endividamento do Grupo incluía ainda a dívida sem recurso (contratualizada em regime de project finance) com origem na consolidação das empresas concessionárias de auto-estradas, de água e saneamento básico, e portuárias. Em Dezembro de 2008, o montante do endividamento sem recurso era de cerca de 949 milhões de euros, valor similar ao do ano anterior
Em função da forte rendibilidade operacional, e apesar do crescimento dos encargos financeiros os Resultados Líquidos Consolidados do Grupo Mota-Engil, ascenderam a 30,6 M€, um valor ao nível de 2007, se expurgarmos o efeito da ganho de capital com o IPO da Martifer, ocorrido no ano transacto, o que permitirá distribuir aos nossos accionistas um dividendo de 11 cêntimos de Euro por acção.
Uma última palavra para partilhar as expectativas do Conselho de Administração para o ano de 2009.
Com suporte na dimensão da actual Carteira de Encomendas é esperado um novo crescimento de dois dígitos do Volume de Negócios Consolidado, sendo que na Área de Engenharia e Construção, esse crescimento deverá mesmo ultrapassar os 20%. A Área de Ambiente e Serviços, apesar da desaceleração da actividade sentida no segmento da Logística, designadamente portuária, deverá apresentar igualmente crescimento, mas em ritmo inferior ao da Construção. Por último, mas não menos importante a Área de Concessões de Transportes, deverá registar novo decréscimo nos níveis de tráfego. Apesar do nível recorde da Carteira de Encomendas em 2008, reitera-se aqui a ambição e a confiança do Grupo Mota-Engil em reforçar a mesma ao longo do ano de 2009.
Eduardo Rocha
Chief Financial Officer (CFO)