Número 36 . Novembro 2010
Champalimaud Centre for the Unknown
Centro de Investigação contra o cancro edificado em 24 meses pela Mota-Engil Engenharia

A Mota-Engil Engenharia liderou (60%) o consórcio com a HCI (40%), responsável por toda a obra de construção do Champalimaud Centre for the Unknown, ou Centro de Investigação Para o Desconhecido da Fundação Champalimaud, em Pedrouços, Lisboa. Apesar da complexidade deste centro, que está na vanguarda mundial da investigação sobre o cancro, a obra foi concluída sem qualquer derrapagem de datas ou de custos.

A obra começou em Outubro de 2008 e, com o empenho das diferentes equipas mobilizadas, foi concluída na véspera de 5 de Outubro de 2010, dia fixado para a inauguração. "O calendário da obra foi sempre cumprido ao dia, rigorosamente", afirmam em uníssono, dias antes da inauguração, dois dos engenheiros da Mota-Engil Engenharia num gabinete de trabalho montado no estaleiro.

Para quem olha do rio, de onde o Tejo começa a juntar-se com o mar, os dois edifícios principais do Centro de Investigação Científica Multidisciplinar da Fundação Champalimaud, em Lisboa, lembram dois grandes navios de cruzeiro, revestidos com pedra de lioz, ancorados na curva ribeirinha de Pedrouços, entre a Torre de Belém e a futura marina projectada para o lugar da antiga Docapesca.

Continuando a ver os edifícios como paquetes, salta à vista que têm a quilha apontada ao oceano. Prontos para zarpar. A metáfora entre dois tempos de descobertas é inevitável: os edifícios estão situados à beira da torre que celebra os navegadores portugueses que há cinco séculos ampliaram o mundo então conhecido, e o Centro de Investigação Para o Desconhecido é um campus onde cientistas e médicos são vanguarda na exploração de vias de excelência para o progresso da humanidade nos domínios das neurociências e da oncologia.

O projecto do arquitecto Charles Correa (Hyderabad, Índia, 1930), desenvolve-se em 60 mil m2 na privilegiada zona ribeirinha de Pedrouços. A obra resulta num centro onde, como define Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud "se trata doentes e se faz investigação, com a ambição de integrar com a maior rapidez os resultados da investigação na prática clínica".

Quando nos aproximamos dos edifícios do Centro Champalimaud, a vista fixa-se nos surpreendentes óculos, com forma de elipse, que se abrem na parede curva dos edifícios. São óculos para deixar passar a luz. Alguns são enormes. Um deles tem 142 m2. Um outro com 81. Há alguns mais pequenos. Para Carlos Cunha, Director de Obra na fase de acabamentos, "o óculo, com 73 m2, fechado com uma peça única de acrílico com oito centímetros de espessura, numa parede do edifício-auditório com o exterior, é um dos mais inovadores desafios desta construção". Carlos Cunha reconhece que "a gestão de empreitadas de grande volume e de grande complexidade é sempre um desafio difícil, mas aliciante". Acrescenta que "a coordenação das instalações electromecânicas, com grande peso no conjunto da empreitada e as fachadas de vidro glass fin (ver caixa ao lado) são outros dos principais desafios desta fase de acabamentos". Os responsáveis pela equipa Mota-Engil Engenharia lembram "a grande complexidade que teve a primeira das três fases da obra, aquela em que foram criadas as fundações e feita a contenção periférica, num terreno muito difícil por se juntar com o rio".

A obra de construção do Centro Champalimaud envolve cinco corpos: para além dos dois edifícios principais, um anfiteatro ao ar livre debruçado sobre o rio Tejo, zonas ajardinadas de acesso pedonal franco e um lago.

Vamos a uma visita ao conjunto.

Edifício A - CENTRO DE INVESTIGAÇÃO E TRATAMENTO

O edifício principal, identificado como Edifício A, acolhe o Centro de Investigação e Tratamento. Tem 16.300 m2, cinco pisos e 27 m2 altura. Acolhe laboratórios, gabinetes de investigadores e centros de diagnóstico e de tratamento. Entra-se neste edifício por um lobby de duplo pé direito que dá para um formidável jardim tropical, interior, coberto por uma pérgola, situado à cota -4,5 m, portanto num piso inferior ao da entrada. O jardim tropical é amplo: 70 m de comprimento, 28 de largura, área total de 1950 m2. Tem altas palmeiras e outra vegetação tropical.

Uma inovação neste edifício é a enorme fachada, toda em vidro, sobre o jardim tropical. É um modelo glass fin, que oferece a todos os cinco pisos contacto visual directo, em transparência total, com o jardim tropical. Carlos Cunha explica que esta estrutura glass fin "assenta num sistema de pilares em vidro temperado que servem de apoio para todo o vasto pano de vidro exterior".

No piso -1 deste edifício funcionam zonas de diagnóstico e de tratamentos oncológicos, para além de outros equipamentos, tais como biotério, data center, playground e cais de descarga. Na extremidade oeste fica situado um outro jardim, zona privada reservada a doentes em tratamento.

A entrada principal está no piso 0, onde também estão consultórios, zonas de exames clínicos, salas de espera, cafetaria e a biblioteca, esta numa posição fulcral do edifício, a expandir-se para o piso superior.

No piso 1, estão localizados laboratórios de investigação e de apoio, gabinetes de investigadores, o segundo nível da biblioteca, outra cafetaria e o ginásio.

O piso 2 tem laboratórios de ensino, salas de conferências, zonas de expansão futura e terraços.

O piso 3 está dedicado aos bastidores técnicos.

Uma ponte revestida por vidro garante, ao nível do piso 2, o acesso ao edifício vizinho. "Uma passagem formidavelmente elegante", entusiasma-se o adjunto do Director da Obra, António Miguel Domingues que chama a atenção para o "engenho e arte" necessários para instalar este equipamento.

Edifício B - AUDITÓRIO, CENTRO DE EXPOSIÇÕES, ESCRITÓRIOS DA FUNDAÇÃO

A ponte de vidro é um dos acessos possíveis ao edifício B. Este, tem quatro pisos, 20 m de altura e 3000 m2.

O piso -1 inclui um restaurante, balneários e zona técnica.

No piso 0, está a porta de entrada - conduz ao auditório, ao centro de exposições e à esplanada. Seguem-se, no piso 1, áreas técnicas e, no piso 2, os escritórios da Fundação Champalimaud, com gabinetes, terraço e jardins. Quando se está no enorme terraço deste piso do topo, regressa a sensação de estarmos num navio: parece a ponte de comando. Com o navio pronto a zarpar - para o universo da grande investigação científica.

Mas ainda há mais para ver e contar.

ANFITEATRO, JARDINS E LAGO

Entre os dois edifícios, na face exterior - como se fosse à frente da quilha do edifício B -, mesmo em cima do passeio na margem do rio, fica o anfiteatro exterior: 1250 m2, com a água do Tejo como pano de fundo para artistas ou oradores.

Toda a zona do anfiteatro e envolvente dos edifícios principais é de livre acesso público.

Há que desfrutar também os jardins e o lago, através de um corredor de 125 m que, entre os edifícios, atravessa o terreno numa longa diagonal que conduz ao rio e se encontra com o mar. É, simbolicamente, o caminho para o desconhecido, para a descoberta. Este percurso começa com inclinação ligeira, a subir, na direcção nascente/poente. No princípio do declive, o horizonte é o céu sobre o mar. No topo da rampa ficam duas esculturas em pedra, colocadas em paralelo, como se fossem a porta para o que vem a seguir - o desconhecido, mas um desconhecido que é esperança. Essa esperança aparece representada por um lago - uma grande massa de água que, vista do topo onde estão as esculturas, dá a sensação de entrar directamente pelo rio e pelo mar adentro.

Todos estes espaços ajardinados foram executados pela Vibeiras, uma outra empresa do Grupo Mota-Engil.

Os parques de estacionamento são subterrâneos.

A obra deste Centro Champalimaud envolveu, nos dois anos de construção, mais de mil operários. Os engenheiros na obra acrescentaram: "Tantos operários mas nenhum acidente, tudo profissional, competente".

O conjunto deste Centro de Investigação Científica Multidisciplinar no Campo da Biomedicina/Champalimaud Centre for the Unknown surpreende e emociona pela unidade plástica e pelo que promete. É, seguramente, uma formidável mais-valia para a cidade, para o país, para todos. E uma das vanguardas na luta contra o cancro, uma esperança comum a nível mundial.

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