É preciso fixar esta sigla: MEM. Significa Mota-Engil Meeting e o primeiro destes encontros foi em Maio em Serralves. Sala cheia, ambiente diferente. Académicos, empresários, artistas e gestores aceitaram o convite do Presidente do Conselho de Administração, António Mota para ouvir um filósofo europeu considerado pelo Novelle Observateur como uma das 25 personalidades que melhor pensam em todo o Mundo. Chama-se Daniel Innerarity e tem uma frase que fala por si: «É preciso libertar o Futuro da ditadura do presente».
Mas este primeiro MEM teve ainda um outro convidado de luxo: Tom Fleming, o geógrafo britânico que fez o estudo das Indústrias Criativas para o Porto e está a trabalhar para Guimarães Capital Europeia da Cultura em 2012.
Coube-me a estimulante tarefa de seleccionar os conferencistas e de encontrar um título para o tema central do MEM. Lembrei-me então de um célebre livro de Italo Calvino chamado «as cidades invisíveis» e pensei que «Cidades Pre/ Visíveis» poderia ser o pretexto de fundo para pensar o Futuro. Como serão as cidades? Que ligação haverá entre elas? Como se relacionarão os cidadãos com o espaço público real e virtual?
Confesso que ao preparar o MEM nunca deixei de pensar nas muitas conversas que tive o prazer de ter com o Presidente do Conselho de Administração, António Mota sobre o futuro do Mundo e de como, apesar das dificuldades conjunturais em Portugal, um seu conterrâneo, Teixeira de Pascoaes, filósofo europeu e poeta de Amarante nos incentivava a ter «Saudades do Futuro». Esta frase de Pascoaes foi aliás sublinhada por Daniel Innerarity que, sendo Basco de origem, espanhol de passaporte e europeu de convicção propôs a sua utilização militante, sem qualquer tradução, por todas as línguas internacionais.
A sombra de Agustina Bessa Luís passou também por Serralves com o seu «Princípio da Incerteza». Toda a gente que foi ouvir Daniel Innerarity e Tom Fleming sentiu que havia naquele MEM estas duas grandes linhas de força: A Incerteza e a Saudade do Futuro.
Mas António Mota fez logo questão, na abertura do MEM, de esclarecer o papel das empresas na produção das ideias e no elevar do nível dos debates em Portugal:
«Temos enraizada na Cultura Organizacional da Mota-Engil essa perspectiva de Inovação e reflexão estratégica como também temos tido a capacidade de materializar e concretizar a Visão que temos do futuro que se nos apresenta.
Mas existem momentos em que, integrados na Era da Informação e do Conhecimento, e em função da dinâmica de Mudança a que assistimos no Mundo, que devemos reservar um tempo para reflectir e perguntar que adaptações deveremos empreender agora para sobreviver e prosperar.
A isso chama-se projectar o futuro».
Vale a pena, sublinhar ainda uma outra passagem do discurso de António Mota perante uma assistência em que na primeira fila se viam sobretudo Reitores de Universidades, cientistas e intelectuais de todas as tendências:
«E perdoem-me a imodéstia, projectar o futuro sempre fez parte da cultura da Mota-Engil. E quando digo projectar, estou a dizer materializar, realizar, concretizar, fazer.
Nós fizemos e continuaremos a fazer tudo o que for preciso e nos deixarem para modernizar o território e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Não nos conformamos a viver com conceitos de sociedade que fazem da lamúria e da resignação a sua forma de estar na vida.
Para nós parar é morrer, mas queremos avançar sustentados no pensamento de quem, como os nossos convidados, dedicam a sua vida a pensar o futuro».
Tom Fleming entusiasmou a audiência com uma exposição feita sobre fotografias de diversas cidades do Mundo revelando tendências e detectando sinais de viragem. Mostrou como cidades deprimidas ficaram vibrantes. O geógrafo britânico insistiu na reconversão das antigas zonas industriais e sublinhou o papel das pessoas, definindo o capital humano como o principal activo de uma sociedade em que as cidades com mais futuro são aquelas que têm os três célebres Ts definidos por Richard Florida: Talento, Tecnologia e Tolerância.
Daniel Innerarity que terminou a sessão a assinar autógrafos nos seus diversos livros editados em português mostrou-se particularmente crítico do jornalismo contemporâneo e deu como exemplo paradigmático da falsa actualidade o seu reencontro com um amigo regressado do estrangeiro.
-«Conta-me tudo o que se passou na minha ausência!», pediu ele.
-Estiveste fora muito ou pouco tempo? Perguntou Daniel Innerarity
-Porquê? Questionou o amigo.
- Porque se estiveste no estrangeiro pouco tempo, tenho muito para te contar mas se estiveste muito tempo vais perceber que realmente não aconteceu nada durante a tua longa ausência»
É este aparente paradoxo que faz da reflexão sobre o tempo e as notícias um tema decisivo para as empresas e para o futuro.
Carlos Magno