"Moçambique é um caso de verdadeiro sucesso e tem tido nos últimos dois anos uma evolução muito positiva", a avaliação é do Presidente da Comissão Executiva do Grupo Mota-Engil, Jorge Coelho. O Grupo tem, actualmente, obras em Moçambique no valor de 300 milhões de euros e, só este ano, ganhou adjudicações avaliadas em cerca de 165 milhões de euros.
Os últimos contratos, no valor de 116 milhões de euros, foram adjudicações à Mota-Engil Engenharia de duas estradas. Uma das obras é a concepção e construção de uma estrada entre Chimoio e Lucite, com uma extensão 147 km. O prazo de execução é de 30 meses e o valor total da obra, incluindo IVA, é de aproximadamente 64 milhões de euros.
O outro projecto é a concepção e construção de uma estrada entre Lucite e Espungabera, com uma extensão 113 Km. O prazo de execução é de 30 meses e o valor total da obra, incluindo IVA, é de aproximadamente 52 milhões de euros.
Nova ponte de Tete
O Conselho de Ministros de Moçambique aprovou no inicio de Junho a concessão de uma nova ponte sobre o Rio Zambeze à Estradas do Zambeze, Concessionária participada da Ascendi, empresa do Grupo Mota-Engil.
A nova ponte de Tete é de extrema importância para Moçambique, conforme foi salientado pelo porta-voz do Conselho de Ministros, porque "vai dinamizar o desenvolvimento da província de Tete e dos países vizinhos sem acesso ao mar, que fazem o seu comércio internacional através dos corredores e portos moçambicanos".
Esta infra-estrutura vai substituir a actual ponte, há vários anos em reparação e que tem limitado a travessia do Rio Zambeze na zona de Tete. Nesta via há muito tráfego internacional e, por vezes, muitos camiões têm de esperar alguns dias para efectuar a travessia.
A construção da nova ponte tem a sua conclusão prevista para Janeiro de 2014, tem uma extensão de 1.5 km e está orçada em 105,3 milhões de euros. O consórcio construtor é liderado pela Mota-Engil Engenharia e conta ainda com a Soares da Costa e a Opway.
A nova ponte de Tete está concessionada às Estradas do Zambeze durante 30 anos. Além desta travessia rodoviária, a Estradas do Zambeze tem ainda a concessão de operação e manutenção de uma rede viária de cerca de 700 km que cobre toda a província de Tete.
A Estradas do Zambeze é uma empresa participada pela Ascendi, Soares da Costa Concessões e Infra Engineering, esta ultima moçambicana.
Esta é a primeira concessão da Ascendi em África. Segundo António Graça, administrador da Ascendi e Presidente da Estradas do Zambeze, vai ser "uma experiência única, com vários ensinamentos e que nos permite olhar para outras concessões de uma forma muito mais sustentada, com mais conhecimento da realidade. Não há duas situações iguais. Nós temos experiência internacional, estamos em Espanha, Brasil, México, Portugal, e Eslováquia. São experiências muito válidas e muito sólidas para podermos, amanhã, se for necessário e estamos a estudar algumas outras situações, olhar para o mercado, não só moçambicano, mas também de uma forma mais alargada para o continente africano, de uma forma muito mais segura mais sólida."
A rede viária de 700 km concessionada à Estradas do Zambeze permite a ligação de Moçambique ao Malawi, Zâmbia e Zimbabwe e o eixo principal, entre Cuchamano e Zóbué, tem uma extensão aproximada de 260 km.
"Aldeia Olímpica" X Jogos Africanos
A aldeia olímpica, que vai albergar os atletas dos X Jogos Africanos, começou a ser construída no Bairro do Zimpeto, arredores de Maputo, um projecto que vai ser executado por um consórcio liderado pela Mota-Engil, no valor de 114 milhões de euros.
A estrutura irá alojar cerca de quatro mil membros de apoio e seis mil atletas esperados para os X Jogos Africanos, considerados como as "Olimpíadas africanas", que decorrem em Setembro de 2011.
A obra foi adjudicada, este ano, pela participada Mota-Engil Engenharia, através da sucursal em Moçambique e em parceria com a Soares da Costa. Compreende a construção de infra-estruturas (estradas, água, esgotos e electricidade), 848 apartamentos, um reservatório elevado, uma piscina olímpica e um parque de cerimónias.
O arranque simbólico das obras da aldeia olímpica foi no final de Maio com o lançamento da primeira pedra pelo ministro da Juventude e Desportos moçambicano, Pedrito Caetano. Nesta cerimónia estiveram presentes outros membros do governo de Moçambique e o embaixador português em Maputo, Mário Godinho de Matos.
Na altura, o representante do Grupo Mota-Engil no empreendimento, José Zilhão, disse que a aldeia olímpica terá o equivalente a um quarto das obras edificadas em Lisboa para o Euro 2004, sublinhando "não temos em Portugal uma aldeia como a que será erguida aqui, em termos de aglutinação de tantas estruturas desportivas com tanta polivalência, mas isto é só um quarto do que foi feito em Lisboa para o Euro".