
A Direcção de Fundações e Geotecnia da Mota-Engil Engenharia introduziu um método inovador na caracterização da acção sísmica para o projecto do Novo Hospital da Ilha Terceira, nos Açores.
Os ensaios mais frequentes para obtenção de perfis de distribuição de velocidades recorrem a um ou mais furos de sondagem (Crosshole, Downhole e Uphole) que, apesar de extremamente fiáveis, são de execução morosa, pontual e, consequentemente, de custo mais elevado. Neste sentido, a Direcção de Fundações e Geotecnia propôs a execução de quatro perfis sísmicos de refracção com determinação da velocidade de propagação das ondas de corte, juntamente com a execução de dois ensaios Crosshole. O objectivo é fazer chegar a toda a área de implantação do edifício hospitalar, a informação obtida a partir dos ensaios Crosshole, reduzindo a necessidade de mais ensaios e custos.
De um modo geral, as instalações hospitalares apresentam um risco sísmico elevado, particularmente quando se encontram localizadas em zonas que já tenham sido afectadas por abalos de elevada intensidade, como é o caso da Ilha Terceira (1 de Janeiro de 1980: cerca de 80% dos edifícios de Angra do Heroísmo foram destruídos). Por outro lado, e de acordo com as recomendações do EUROCÓDIGO 8, o perfil do local de distribuição de velocidades de propagação das ondas sísmicas de corte (Vs) é considerado o dado mais relevante do comportamento geotécnico do maciço de fundação, quando sujeito à acção sísmica. É neste sentido que o método utilizado pela Direcção de Fundações e Geotecnia, além de fulcral, confere ao Novo Hospital da Ilha Terceira uma segurança superior em caso de terramoto.