A Mota-Engil assinou, em Luanda, um contrato de parceria com um consórcio para a criação da Mota-Engil Angola, uma sociedade de direito angolano controlada em 51% pela Mota-Engil Engenharia. Os restantes 49% são detidos por um consórcio local composto pela Sonangol Holdings, BPA - Banco Privado Atlântico, Finicapital e Globalpactum.
Segundo documentos enviados à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), "a Mota-Engil Angola terá como objecto a actividade de construção civil e obras públicas e privadas, bem como outras actividades em vários sectores industriais em Angola, em particular os relacionados com o mercado de construção industrializada e da habitação." Neste sentido, a nova sociedade vai desenvolver a actividade até agora levada a cabo pela sucursal da Mota-Engil Engenharia no país, que, entretanto, se mantém. As operações que materializam essa transacção vão ser concretizadas durante este ano.
Tendo por base a experiência da Mota-Engil Engenharia no sector das obras públicas no país, a Mota-Engil Angola tem como meta central desenvolver as vertentes da infra-estruturação e do projecto de habitação em curso. Adicionalmente, uma sociedade-veículo própria para o efeito - detida a 100% pela Mota-Engil Angola - vai dedicar actividade na área da indústria, sector no qual o Grupo Mota-Engil detém algumas participações que vão ser integradas na nova sociedade.
A construtora portuguesa esclarece que se "encontra actualmente em curso o processo de avaliação dos activos e participações do Grupo Mota-Engil que vão fazer parte do âmbito desta operação." O valor de referência, resultante de uma primeira avaliação aceite pelas partes, ascende a 325 milhões de dólares (cerca de 240 milhões de euros).
Actualmente, o mercado angolano pesa entre 15 a 20% no volume de negócios da Mota-Engil Engenharia.
Sentido Estratégico
A criação da Mota-Engil Angola vem na sequência do Memorando de Entendimento anteriormente assinado em Lisboa, a 16 de Junho de 2009, com a presença de todas as entidades subscritoras, no sentido de seguir a estratégia de replicar, nos países externos, a estrutura detida em território.
A formação de uma sociedade de direito angolano por parte da Mota-Engil é, de acordo com os analistas da Espírito Santo Research (ESR), uma atitude "positiva" do ponto de vista estratégico. Esta parceria com empresas angolanas importantes, nomeadamente com a petrolífera estatal Sonangol e com o Banco BPA "deverá tornar mais fácil à Mota-Engil obter contratos de obras públicas neste país africano," frisa a ESR em nota de análise enviada à comunicação social.